domingo, 22 de março de 2015

Inferno: os tempos mudaram?

*Padre David Francisquini

Imaginemos um teólogo em cujo espírito germinasse uma ideia nova sobre uma doutrina já consagrada e sempre ensinada na Igreja Católica, qual seja a da existência do inferno e de sua eternidade. Era de se supor que ele bem poderia colocar em risco seu futuro e cair no ostracismo.
Em não longínquo passado o ex-frei Leonardo Boff foi condenado pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé e reduzido ao silêncio por defender erros teológicos. Ele voltou a ensinar o erro ao afirmar, a respeito de um poeta pernambucano prestes a morrer, que Deus não condena ninguém para sempre.
Ora, a fé nos assegura que o fogo do inferno e os tormentos dos condenados são eternos. Não se trata de opiniões controvertidas entre os teólogos e estudiosos. A eternidade do inferno é uma verdade de fé que nenhuma autoridade pode mudar — nem sequer o Papa —, pois está expressa nas próprias Sagradas Escrituras, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.
As Escrituras opõem-se à ideia de que o inferno não seja eterno ao afirmar: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno” (Mt 25, 41). De onde se segue que, se o fogo é eterno, também o é o suplício do condenado. Não haveria razão para Deus ter criado um fogo eterno se não fosse para castigar eternamente os condenados.
Em outro lugar nas Escrituras pode-se ler: “Irão estes para o fogo eterno” (idem 46). “Ir para a geena, para o fogo inextinguível, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga” (Mc 9, 43 a 44). No Apocalipse 14, 11 está escrito: “A fumaça dos seus tormentos subirá pelos séculos dos séculos. Não terão descanso algum, nem de dia nem de noite, esses que adoram a besta e a sua imagem, e todo aquele que acaso tenha recebido o sinal do seu nome”.
Uma pena que não fosse eterna — e durasse pouco — faria com que o inferno deixasse de ser inferno e Deus deixasse de ser Deus. Ao meditar sobre a eternidade do inferno, Santo Afonso Maria de Ligório nos sugere multiplicar todos os milhões de anos em infinitas vezes. O resultado dessa multiplicação mostraria que o inferno estaria apenas começando…
Uma coisa é a bondade de Deus, que persegue o pecador para convertê-lo, afastá-lo do mau caminho, concedendo-lhe graças, dons, e até mesmo castigos. Outra coisa é a bondade e a misericórdia da Igreja, sempre de coração aberto e mãos estendidas para receber e perdoar o pecador convertido.
Não podemos confundir esse pecador com aquele que não abandona o seu mau procedimento e morre empedernido. Se assim viveu e morreu foi por sua própria culpa. Escolheu livre e espontaneamente o lugar que se chama inferno. Deus dá o prêmio aos bons e o castigo aos maus.
Como Deus é eterno, também eternos são o prêmio e o castigo. Deus deixaria de ser Deus se fosse apenas misericordioso e não desse o prêmio e o castigo de acordo com as obras. Deus é misericordioso porque justo.  Esta eternidade é de fé, porque revelada por Deus, e não uma simples opinião.
 “Apartai-vos de Mim malditos para o fogo eterno. Irão estes ao suplício eterno. Pagarão a pena da eterna perdição. Todos serão assolados pelo fogo” (Mt 25, 41. 46; 1Ts1,8; Mc 9,48). Assim como o sal conserva o alimento, o fogo do inferno atormenta os condenados, mas ao mesmo tempo tem a propriedade do sal ao conservar-lhes a vida.
“Ali o fogo consome de tal modo — disse São Bernardo — que conserva sempre”. Santo Afonso ensina:“O poço não fecha a sua boca, porque se fechar a abertura em cima, se abrirá em baixo para devorar os réprobos”. Continua ele: “Enquanto vivo, o pecador pode ter alguma esperança, mas, se a morte o surpreender em pecado, perderá toda esperança” (Pr 11,7).
Continua ainda mais: "Se os condenados pudessem ao menos embalar-se em alguma enganosa ilusão que aliviasse o seu desespero horrível… Afinal, um infeliz delinquente condenado à prisão perpétua também procura alívio em seu pesar, na esperança remota de evadir-se e obter assim a liberdade.
Mas o condenado não pode sequer ter a ilusão de que um dia poderá sair de sua prisão! Não, no inferno não há esperança. O desgraçado réprobo terá sempre diante de si a sentença que o obriga a gemer perpetuamente nesse cárcere de sofrimentos."
“Uns para a vida eterna, e outros para o opróbrio que terão sempre diante dos olhos” (Dn 12,2). Para Santo Afonso, o réprobo não sofre somente a pena de cada instante, mas sofre a cada instante a pena da eternidade.
Eis o que está escrito no Eclesiastes: “Quando as nuvens estiverem carregadas, derramarão chuvas sobre a terra. Se a árvore cair para a parte do meio dia, ou para a do norte, em qualquer lugar onde cair, ficará” (Ecl. 11, 3).
Tal é a sorte do justo e do pecador: ficará para sempre, no Céu ou no inferno.

domingo, 1 de março de 2015

Armadura de Deus e couraça da justiça


Primeira tentação transformar as pedras em pães
Nosso Senhor Jesus Cristo veio à Terra como verdadeiro Deus-Homem, porque revestindo-se toda ofensa ao Criador de uma gravidade infinita, somente outro Ser infinito seria capaz de resgatar a humanidade pecadora.
 Se Jesus foi tentado pelo demônio no deserto, tal não se deveu às suas paixões ou más inclinações, absolutamente inexistentes, mas à argúcia e experiência do Maligno, que queria saber quem era aquele homem, se era realmente o Filho de Deus.
            São Mateus narra que Nosso Senhor foi conduzido pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo diabo ao final dos 40 dias e 40 noites de jejum, quando teve fome. Com inteligência angélica, o demônio arquitetou um plano nefasto para tentá-Lo através de três seduções. Serviu-se assim da fome, do prestígio e honrarias do poder e, das riquezas que costumam levar os homens a se distanciarem da Lei de Deus.
       O que estava nos sinistros e monstruosos cálculos do demônio era transferir para si a fidelidade de Jesus a Deus. O Divino Mestre agiu com sabedoria e perfeição, inteligência e habilidade, deixando o demônio confuso, humilhado e destronado, pois só Deus deve ser amado e conhecido. Numa grande missão, Ele veio aniquilar o reino que satanás edificara havia tantos séculos.
Segunda tentação lançar daqui abaixo
No mesmo lugar em que os nossos primeiros pais foram infiéis e derrotados, Jesus Cristo venceu a batalha contra satanás e os anjos rebeldes. Concedeu-nos Ele assim o remédio eficaz e salutar para que também nós pudéssemos lu

Deus permite as tentações para nos dar ocasião de granjear méritos e manifestar o nosso valor no manejo das armas que Jesus Cristo nos conquistou. Diz o arca
njo Rafael a Tobias: “Por seres agradável a Deus, foi necessário que a tentação te provasse”. Com efeito, ensina-nos Nosso Senhor no Pai-Nosso: “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. tar e vencer os inimigos. A tentação é um encanto interior provocado pela nossa natureza depravada ou pela influência do demônio para que violemos a Lei de Deus.
Conseguimos essa força para combater as tentações pela oração, pelo trabalho constante, pelo pensamento frequente em Deus, pelo exercício de domínio sobre as nossas inclinações e paixões desordenadas, bem como pela devoção à Virgem Imaculada, tão recomendada pela Igreja, enaltecida pelos santos, Àquela que é o terror dos demônios.
Terceira tentação oferece os Reinos do mundo e suas
riquezas
A perseguição mais frequente e habitual do espírito das trevas constitui em desviar a alma do bom caminho servindo-se do mundo e da nossa natureza corrompida. São Pedro alerta a todos para vigiar e orar, porque o demônio, como um leão voraz, está ao nosso redor procurando nos devorar pela tentação.
Por sua vez, São Paulo Apóstolo nos convida a resistir às ciladas do demônio, porque nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares. Aconselha-nos ainda a tomar a armadura de Deus para resistir no dia mau.
Inspirado pelo Divino Espírito Santo, ele compara cada combatente a um soldado revestido da armadura de Deus e a couraça da justiça, que guiado pela fé e pelo espírito guerreiro sai sempre vitorioso.  O cristão diligente na observância da lei do Altíssimo está revestido do poder de Deus, que é a graça divina e os princípios cristãos.

Pretendo retomar o tema tão logo me seja possível. Até lá.