sábado, 22 de novembro de 2014


Pe. David Francisquini

Uma das lições das urnas nas recentes eleições foi mostrar a existência de algo promissor que se faz sentir tanto na vida pública quanto na dos indivíduos em relação aos valores da instituição familiar e da moralidade em geral. Na verdade, vem causando acentuado desconcerto na opinião nacional a situação civil e religiosa na qual nos encontramos.
            Se de um lado parece haver uma máquina organizada para conduzir o país rumo ao caos, as recentes eleições evidenciaram de outro lado a existência de uma crescente e atuante oposição que tenta impedir o pior para o Brasil, ou seja, que ele se aprofunde cada vez mais no despenhadeiro da decadência moral cujo último termo é a sua completa bolchevização.
40 Mártires Brasileiros
A expressiva votação no candidato da oposição – sem falar dos milhões de brasileiros que se abstiveram por não se sentirem representados por nenhum dos contendores – não pode ser creditada somente aos predicados do senador Aécio Neves, mas à rejeição à forma e ao conteúdo do governo do PT, e ao desejo de mudanças profundas na condução da nossa coisa pública.
 Mudanças essas sintetizadas num excelente documento difundido a mancheias durante o período eleitoral pelo Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, e apresentando ideias como a defesa da vida humana inocente desde a fecundação até a morte natural, isto é, o rechaço à legalização do aborto, da eutanásia e das drogas.
E o documento vai além, ao defender a família como Deus a fez – um homem e uma mulher; ao condenar a intromissão do Estado no direito dos pais à educação dos filhos; ao reivindicar a proteção às propriedades rurais e urbanas, alvo crescente de invasões, em particular ao agronegócio, esteio de nossa economia; ao rejeitar a sovietização do Brasil através de “conselhos populares” e “movimentos sociais”.
Se o candidato da oposição recebeu votação tão expressiva, isso significa que o Brasil real, verdadeiro, autêntico e cristão anela por uma ordem de coisas superior e está pronto a defender uma ideologia não concessiva. Alguém representativo do PSDB chegou a reconhecer que os brasileiros inconformados lutam para destruir o PT, acusando-o de querer implantar o comunismo no Brasil.
Padre Manoel Nóbrega
           


Enquanto os políticos caminham para rumos que o grande público desconhece – prova disso foram as recentes declarações de Aécio Neves de que “não adianta me empurrar para a direita, pois para lá eu não vou” –, o povo brasileiro está se despertando e erguendo-se contra os descaminhos do atual governo, que vai conduzindo o país rumo ao caos.
São Jose´de Anchieta



Ao fazer a presente análise, não posso deixar de ressaltar o papel da graça sobrenatural, de modo especial a de Nossa Senhora Aparecida, que como Mãe e Rainha de todos os brasileiros quer nos salvar de queda tão desastrosa provocada por aqueles que tentam desestabilizar a Nação e conduzi-la para rumos opostos aos da sua vocação providencial.




Vejo nisso a ação profunda da evangelização conduzida por homens da têmpera de Nóbrega e Anchieta, que tudo fizeram para que o Brasil fosse inteiramente cristão. Graças que percorreram os nossos 500 anos de história e que estão hoje presentes em entidades católicas que vêm atuando no sentido de preservar a opinião pública dos erros do marxismo e da degenerescência moral. 

domingo, 9 de novembro de 2014

Ai daquele que escandalizar!

*Pe. David Francisquini



Dotada por Deus de qualidades, pendores e apetências, a natureza humana possui uma perfeição naturalmente ordenada e tendente a um fim supremo, absoluto e eterno.
Tomemos uma criança. Ela nasce constituída de corpo e alma, com ideias, desejos e sensibilidade. Que formação ela deve receber para a educação de seu caráter e de sua personalidade? 
Apesar de o Batismo apagar a nódoa do pecado original, não elimina contudo as más tendências com que toda criança nasce, tendências estas que a acompanharão até o seu último suspiro: Militia est vita hominis super terram", isto é, a vida do homem sobre a terra é uma luta (Jó, 7, 1).
De onde a necessidade imprescindível de toda criança ser educada sobretudo pelos pais, dever ao qual eles nunca deveriam furtar-se.
Analisando-se uma criança, vê-se que sua principal tendência está voltada para Deus, que ao criá-la dotou-a com o senso do “ser”, o qual a faz confusamente sentir que, embora única, ela não se encontra sozinha no universo, onde existem outros seres que lhe são semelhantes, a começar pelos pais. 
Portanto, se ela e todas as coisas existem, haverá um ente dotado de perfeições infinitas – Deus – que é a razão de sua existência e de cuja glória participam todos os seres criados.
Mesmo sem fazer esses silogismos, a criança possui uma ideia de Deus, porque todo ser tem unidade, bondade, beleza e verdade. 
Se Deus assim criou os homens, o que faria o inimigo de Deus – o demônio e seus
sequazes – para truncar os planos divinos? Procurará circundá-los de contradições, incertezas, instabilidades, egoísmos, ideias de fruição. E na criança, sem jogo de palavras, procurará trincar o cristal límpido da inocência primaveril, através do qual ela contempla e ama a Deus nas coisas boas, verdadeiras e belas. 
Procurará ainda colocar no seu próprio ser, no íntimo que a governa, com vistas a impedi-la de atingir o fim para o qual foi criada, a aflição, a torcida, os caprichos, as intemperanças, enfim a desordem. Para quê? Para que ela renegue a sabedoria divina fechando sua alma para a contemplação; para que não possa admirar, por exemplo, a beleza de uma planta, de um pássaro, de um rio cristalino, de um magnífico pôr do sol, e de relacionar isto com a outra vida que é eterna.
A criança quando chora é porque sente falta de algo; quando ri é porque está feliz, seja pela presença da mãe, seja pelo carinho do pai ou pela aproximação de seus irmãozinhos. Assim ela se desenvolve em todo o seu processo humano, tal como se observa numa semente que desabrocha, cresce, produz flores e frutos. Essa maturação se dá no sadio, reto e virtuoso processo humano de uma criança.
Mas ai daquele que escandalizá-la! Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse nas profundezas do mar.

O que me motiva escrever estas linhas é a minha indignação diante da escandalosa quantidade de livrinhos da rede pública de ensino para a (de)formação das crianças brasileiras, desde o maternal, passando pelo jardim de infância e continuando mais além, estimulando-as à fruição de sensações, de experiências desconhecidas do mundo infantil, numa palavra, habituando-as desde a mais tenra idade ao mundo da prostituição, ao mundo todo posto no pecado, conforme ensinou Nosso Senhor.
Seria este um conúbio espúrio do demônio com o governo do PT para implodir a família enquanto instituição, não permitindo que os pais eduquem seus filhos no caminho do bem, do verdadeiro e do belo, mas obrigando-os, pelo contrário, a fazê-los percorrer um caminho inverso ao desejado pelo Divino Salvador quando disse “deixai vir a Mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus”? E, em outra ocasião, “ai daquele que escandalizar um destes pequeninos”?