terça-feira, 21 de dezembro de 2010

E a luz brilhou nas trevas

E a luz brilhou nas trevas

Pe. David Francisquini

O Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo é sem a menor sombra de dúvida o maior acontecimento da História. Nos arredores de Belém, radiante de luz, o Menino-Deus jaz na manjedoura diante de Nossa Senhora, São José e alguns pastores. Os próprios animais se acercam daquela gruta fria para aquecer o Deus que se fez homem e veio habitar entre nós.

         Qual lírio que desabrocha num árido descampado - símbolo da situação na qual a humanidade se encontrava - o Deus encarnado exala celestial aroma. A atmosfera toda fica perfumada pelas suas virtudes. Além de se encarnar por obra do Espírito Santo no ventre virginal de Maria Santíssima, Ele quis vir ao mundo como débil criancinha para manifestar alguma proporção conosco.
As circunstâncias de Ele ter nascido pobremente e numa noite de inverno não nos impedem de imaginar que toda a natureza tenha se revestido de júbilo, e os instintos mais grotescos e ferozes dos animais, serenado. O espírito dos homens justos foi tomado de movimentos de felicidade, enquanto o coração dos ímpios se abrandava.


A neve que caía encantadoramente em Belém criava um ambiente de paz, de bênção e de inocência. Tal ambiente não poderia ter passado despercebido dos Anjos da milícia celeste que não se contiveram em seu louvor a Deus, entoando talvez o mais belo hino que jamais haviam cantado: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”.
         Conforme revelações particulares de muitos santos, no momento mesmo em que a “Luz brilhou nas trevas”, os maus tremeram e rangeram os dentes de pavor. Muitos tiranos, opressores, sodomitas, violadores da ordem natural, cultuadores dos demônios e satanistas morreram desesperados. A humanidade inteira percebera a glória de Deus entre nós.
Nas catedrais, nas igrejas e nos mosteiros, há dois mil anos que se ouve o bimbalhar dos sinos, o ecoar das vozes nos cânticos natalinos como Noite Feliz, o crepitar do incenso perfumado. Os presépios armados dentro dos recintos sagrados, as árvores e as ceias natalinas evocam incontáveis recordações que tocam no próprio Deus que se fez homem para a nossa eterna recompensa. 
Com efeito, tal alegria, paz, serenidade, sentimento de bem-estar e de harmonia só se explicam em função do Natal do Divino Infante.  Entretanto, como esses atributos vêm se empalidecendo e se tornando cada vez mais insossos em nossos dias! A causa disso é o fato de o homem contemporâneo pautar sua conduta pelo lado puramente material de gozar a vida.
O mundo moderno se desviou da prática da virtude e do cumprimento da santa lei de Deus, paganizou-se e se afastou dos rumos traçados por Nosso Senhor Jesus Cristo, consignados nas páginas dos Santos Evangelhos. O Natal se tornou vazio, sem sentido, sem esperança e, por isso mesmo, sem o bem-estar de outrora.
         A atmosfera natalina é própria a evocar da inocência que evola das almas ao comemorar o nascimento do Messias, do Leão de Judá, do Filho da sempre Virgem Maria, do Emanuel, do Filho Unigênito de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo.