Vigiai!
Tendes olhos e não vedes?
Padre. David
Francisquini
Alguns animais se utilizam de disfarces para se
arremessarem melhor contra a presa. É o caso, por exemplo, do leopardo ao
escolher sua vítima; da cobra, cuja coloração furta-cor serve ao mesmo tempo de
camuflagem e atração; do camaleão, do latim stellio, lagarto, que muda de cor
para passar despercebido. Eles parecem ter inspirado os legisladores na
tipificação de crimes praticados por estelionatários.


As suas metamorfoses táticas visam apenas alcançar seus
objetivos, não importa o campo de atuação. Restrinjo-me ao erro declarado ou
larvado que passou a grassar nos meios católicos por meio da infiltração
comunista ou das ideias comunistizantes da Teologia da Libertação que vem
descaracterizando o povo fiel. Na verdade, ao longo deste último século o meio
religioso foi acossado a se adaptar ao mundo moderno.

Procura-se justificar o caráter “desprovido” de ideologia
de partidos comunistas quando se ocupam de questões sociais, como os interesses
dos marginalizados e excluídos; das minorias; do direito à prática do aborto e
da prostituição; da erradicação da homofobia e da igualdade de gênero; do
direito às manifestações públicas em paradas homossexuais; a defesa exacerbada
do meio-ambiente...
Convém, contudo, focalizar que o mundo contemporâneo
encontra-se numa fase tal que pretende tragar, com reformas antinaturais e
contrárias à Lei de Deus, o que ainda resta de ordem, como a família e a propriedade.
Diga-se, aliás, que a Revolução passa da fase propriamente comunista para o
campo cultural e místico, a fim de instaurar o caos social.
Lembremo-nos que a Igreja, até meados do século passado,
tinha uma posição clara, definida, categórica a respeito da ideologia marxista,
impondo até mesmo penas canônicas ao católico que colaborasse ou defendesse a
ideologia ateia, pois, entre o socialismo e a doutrina social da Igreja havia
uma oposição irreconciliável. De lá para cá, vem-se configurando um distanciamento
paulatino de tudo aquilo que ensinaram os Papas, os Santos e os Doutores da
Igreja.
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Frei Gilvander Luís Moreira, promovendo revolução |
Cumpre notar que os líderes revolucionários fingem
desconhecer que no final do processo de transformação e da consequente
consolidação de seus planos haverá um nivelamento drástico das classes num
patamar social aviltante, porquanto uma minoria desfrutará das benesses que o
novo sistema lhe proporcionaria. É o que ocorre em Cuba há mais de meio século
e agora também na Venezuela. Algo disso começou a esgueirar-se no Brasil na era
do PT.
Outra tese revolucionária é a de que só se alcança a
dignidade humana através do estabelecimento da igualdade de todos, ainda que na
miséria. Se o empregado é teoricamente igual ao patrão, este último acaba por
se sentir livre da obrigação moral de lhe prestar assistência e proteção. Em
nome dessa igualdade os empregados são lançados contra as classes mais
favorecidas que os protegiam em sua própria dignidade, nos costumes e nas suas
necessidades.
Por sua vez, os empregados ficam entregues à própria
sorte e passam a explorar cada vez mais o empregador, ancorados, aliás, em leis
favorecedoras da luta de classes. Esse quadro prenuncia uma profunda
desmoralização, geradora de miséria espiritual e material, com vícios de toda
ordem a devorar os salários e agravar mais e mais a triste situação de um povo
alheio à fé, desguarnecido das leis e desprovido de lares.
Sob os auspícios de Nossa Senhora Rainha, cuja festa no
calendário tradicional se celebra no dia 31 de maio, peçamos-Lhe que difunda
luzes para que a nossa sociedade conturbada escape das armadilhas veladas ou
declaradas de seus predadores. Que sua festa nos traga a clareza de espírito
capaz de discernir essas armadilhas e seus encadeamentos, que nos impedem de
agir em conformidade com a nossa fé.