Bem-aventurados os que não viram,
e, contudo, creram
Pe. David Francisquini

Santo
Agostinho comenta que depois das zombarias, dos açoites, dos suplícios da Cruz,
do vinagre e do fel, da morte e descida à região dos mortos, Jesus retornou à
nova carne, fazendo ressurgir a salvação para os homens pelos sofrimentos
daquela carne, já agora ainda mais bela, pois retinha a contemplação da
divindade.
Nosso
Senhor havia sido depositado no sepulcro na sexta-feira. Enquanto era lícito
trabalhar, os seus amigos prepararam os unguentos e os perfumes, a seguir,
segundo ordenava a lei, guardaram o repouso do sábado. Terminada a véspera,
quando todos já poderiam voltar às atividades, adquiriram o que ainda faltava
para o cumprimento de suas devoções, a unção do Senhor.
De
súbito, as santas mulheres se depararam com o sepulcro vazio, pois fora destruída
a morte. O inferno foi derrotado, a terra restabelecida com o céu. A
ressurreição de Cristo manifesta a grandeza de sua divindade e de seu poder.
Estava morta a morte, e Cristo passou a reinar sobre a Terra.
O
esplendor e a elevação da ressurreição de Cristo movem os corações dos

Aquelas
mulheres fortes, cheias de respeitoso temor e, ao mesmo tempo, maravilhadas
pela grandiosidade do milagre da Ressurreição, foram impelidas a apressar os
passos para anunciar que Cristo não mais jazia entre os mortos.
Tomados
pela notícia, Pedro e João correram até o sepulcro para se certificarem da boa
nova. A partir dali, passaram eles a difundir, a semear a semente da verdade de
fé católica sobre a ressurreição de Cristo.
Como
a fé não provém da exterioridade das coisas, mas das invisíveis, Jesus proíbe Maria
Madalena de tocá-Lo, pois deveria acreditar n’Ele ressuscitado contra todas as
aparências. Contudo, permite que as outras duas Maria abracem os seus pés e os
osculem, a indicar que com suas carnes humanas, era Ele mesmo.

O
anúncio da verdade da ressurreição foi reforçado pelos próprios adversários de
Cristo que lacraram a tumba com o selo imperial, proibiram de tocar naquele
sepulcro, além de tê-lo munido com guardas. Todos esses cuidados serviram para
tornar a verdade da ressurreição incontestável, como afirma São João Crisóstomo.
Enquanto
uns acataram com simplicidade de coração a verdade da boa nova, outros se
afundaram no precipício da perversidade e da malícia, negando a verdade
conhecida como tal. Foi o que aconteceu com essa gente, pela sua impiedade.
O
certo é que Cristo ressuscitado passou a ser um fato apologético de
transcendental grandeza entre os judeus, para a missão que recebera do Pai. Ele
não fora o pretenso impostor ao afirmar que depois de três dias ressuscitaria, pois
de fato ressuscitou.
Imaginemos
Cristo Ressurrecto olhando para os nebulosos dias contemporâneos e
compreendendo tanta moleza, tanta malícia, tanto ódio à sua obra. Peçamos a Ele
e ao Imaculado Coração de Maria que iluminem nossas mentes, aqueçam nossos
corações, façam triunfar a Santa Igreja o quanto antes sobre os seus inimigos.